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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lucilene Reginaldo



Profissão:Professora.

A nossa primeira entrevistada é Lucilene Reginaldo - Professora de Teoria e Metodologia da História e História da África do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da UEFS, com Graduação e Mestrado em História pela PUC/SP e Doutorado em História Social pela UNICAMP e Professora da UEFS desde 1997- fala sobre a sua vida de historiadora, a profissão e os problemas da classe.

Como aconteceu a escolha de sua profissão?


Não tive conflitos na escolha do curso de graduação. No segundo grau eu gostava muito de literatura e de história. Estas eram, portanto, minhas duas opções. Também queria ser professora e, mesmo sem saber muito bem o que era, tinha interesse pela pesquisa em história, especialmente sobre a história do negro no Brasil. Participava de um grupo de teatro, de movimentos populares e movimento negro e havia, nestes espaços, a discussão de que a história do Brasil estava mal contada pois só tratava da história dos poderosos, dos dominadores, dos ricos. Eu queria pesquisar e contar outras histórias do Brasil, acho que isso me fez escolher o curso de História, sem conflitos. Me identifiquei com o curso logo nos primeiros semestres. Gostava das leituras, das discussões e do ambiente da universidade. No segundo ano do curso recebi uma bolsa de iniciação científica do CNPq. Com a bolsa pude comprar livros, dedicar-me integralmente aos estudos e conhecer mais de perto o que era a pesquisa histórica.


Como você definiria a disciplina História?


A História, como todas as disciplinas e ciências, ao longo do século XX, passou por muitas mudanças. Talvez a mais importante foi reconhecer que a História não faz previsões para o futuro e nem conta o passado tal qual ele aconteceu. A História, através dos métodos de investigação busca aproximações com o passado, por isso a investigação não termina nunca pois sempre se pode encontrar novos documentos, ou a partir de novos interesses, fazer novas perguntas ao passado. De outra parte, o passado pode ajudar a refletir sobre o presente e construir um futuro melhor. Por exemplo, a história da escravidão de negros e índios, no passado, mostra a necessidade das cotas/ações afirmativas direcionadas a estes grupos nas universidades públicas na atualidade. Nesse caso, a História pode ajudar a reconhecer e reparar injustiças e violências cometidas. Foi este argumento, o da reparação da violência, que justificou a criação do Estado de Israel em 1948.


O que acha das unidades de ensino?


Sou professora da UEFS, do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia. Penso que nossa universidade oferece boas condições de trabalho e oportunidades para melhorarmos. Mas, é importante dizer que, numa universidade pública, o empenho dos professores na elaboração de projetos e grupos de pesquisa é fundamental para melhorar as condições e infra-estrutura do universidade. Através destes projetos captamos recursos das agências nacionais de financiamento, fazemos parcerias com outras universidades públicas, conseguimos bolsas para estudantes de graduação.


E a remuneração?


No Brasil, de modo geral, os professores são mal pagos. Isso se explica pela pouca importância dada à Educação em nosso país. Acho que a valorização dos professores precisa começar no ensino básico/fundamental. Os professores das primeiras letras precisam ser muito bem formados, precisam estudar e receber salários dignos e compatíveis com sua importância social.

5 comentários:

  1. Para ser professor tem que gostar mesmo, eu por exemplo não teria paciência com a maioria dos alunos! haha
    Seguindo :D
    http://leituradaestante.blogspot.com/

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    1. é preciso trabalhar isso...o gosto não é tudo e o talento também...Haha

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  2. Não! Pra ser professor no brasil, tem que gostar. Por que não é pelo dinheiro e sim pelo amor, mesmo. Tiro o chapéu pra esses heróis do ensino.
    Parabéns pela entrevista e pelo post.
    Realmente muito, muito bom.

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    1. Exatamente, o amor é tudo. Ele recebe bem, mas não é o suficiente para o que estudou e para a sua responsabilidade social: formar profissões.

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  3. História é minha matéria favorita . Com todas as condições em que trabalham os professores , se ve que realmente amam a profissão ...

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