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sábado, 26 de maio de 2012

As religiões do amor. 1/5

74 E se tudo como fosse, e se tudo com era, e se tudo  como é.

E se o nosso amor, pudesse  voltar, trocaria ele por mais vidas.

Para vivê-lo no fosse,no era e no é.  


(1/5)


Nessa vida, ou melhor, nessa história seria tudo perfeito se houvesse um final perfeito, no mundo civilizado. Tudo, ou quase tudo, me parecia tão bom, até ele entrar, como um trovão de cheiros, todo perfumado, um lindo e não era um  homem,era um buquê que entrou e no mesmo momento arrebatou meu coração,com os seus espinhos que pareciam penas. Naquele momento a minha alma exaltou-se e meu coração anestesiou-se, fiquei trêmula e ao mesmo imóvel, eu queimava de fogo e gelava de frio e todos os meus pelos ficaram em pé com os meus colores frios de arrepios. E foi essa a cena que passou em minha cabeça em todo o trajeto até o altar e eu lembrava cada sentimento, de cada gesto e sabia que a partir do momento que eu aposentasse-me no fim daquela linha vermelha, escutasse palavras, que não passavam de mito, para concretizar aquele momento, pusessem o seu infinito amor em meu dedo e eu no seu, estaríamos ligados para todo o sempre, mas não sabia que aquele sempre era breve.


Em certa manhã eu dormia, neste dia só iria trabalhar mais tarde. De olhos entre abertos, eu dormia, às vezes via-o passar, em outra o sono me pegava e eu adormecia e em uma desses cochilos senti o seu beijo frio e molhado sobre a minha testa, mas acima de tudo, percebi, pela última vez, o seu grande amor. Escutei a porta do quarto fechando-se e com o barulho sentia, com pálpebras fechadas, a luminosidade indo, aos poucos. Nesse momento sonhei com o nosso primeiro encontro. Aquele homem, por quem eu me encantei maravilhosamente, foi-se até a recepção, deu algumas palavras para pedir informações e sentou-se junto a mim. Fingia que lia uma revista, mas na verdade nem olhava as figuras, eu fixava os meus olhos em um ponto e tentava imaginar o que se passava naquela cabeça de um homem tão lindo. E derrepentemente, foi surpreendida com suas palavras, não compreendendo o que ele dizia pedir que repetisse e, neste momento, percebi um sorriso no canto de sua boca e ele repetiu:

-Você vem sempre aqui?

Eu ri desesperadamente, e ele ficou tentando entender o motivo da minha risada. Depois de muito rir, demos alguns atos de frases, com muitas réplicas e tréplicas e por fim fui chamada pela recepção. No mesmo momento eu escutava latidos desesperador e me perguntava se seria uma cão ou a recepcionista que estaria latindo, mas levemente fui acordando, dando conta que eu estava em um sonho rememorando.
Olhei pela janela, vi a Cláudia, minha amiga, de uma forma que nunca tinha a visto antes. Ela parecia muito triste e abalada, percebi que o seu rosto era inchado de lágrimas e me preocupei. Fui correndo abrir a porta, ela me abraçou desesperadamente e apenas disse o nome dele, foram ditos três vezes, mas pronunciados inúteis, na primeira sabia do que se tratava e percebi que o meu infinito amor, em seu dedo, não era uma proteção, um amuleto e, muito menos, um escudo, contra nada, assim como tudo e assim como a morte.

6 comentários:

  1. Surpreendi com o final. A trama saiu totalmente da zona de conforto, trazendo algo novo e eu adorei isso. Parabéns.

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    1. Muito obrigado.Realmente ela foge de todo o padrão estabelecido por todas as suas características românticas.

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