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quinta-feira, 31 de maio de 2012

As religiões do amor 3/5

76 Vamos percorrer todo o caminho esta noite sem remorsos, apenas amor.
Nós podemos dançar, até morrer.
Você e eu, seremos jovens para sempre.

[Teenage Dream - Katy Perry]


(3/5)



No outro dia, liguei para a nossa amiga, a mastologista, Cláudia e pedi que fosse me ajudar a liberar o corpo. Nesse dia descobri que toda está tecnologia que nos cerca, não ajuda apenas, mata também. Foram às doze horas mais terríveis de nossas vidas e nela lembrei que se não fosse a minha querida amiga, não teria vivido aquele grande amor.

No primeiro dia de nosso amor, no hospital. Depois de ter fixado seu olhar ao meu, ele perguntou se eu era solteira. Eu, sem reação, respondi que este assunto era uma questão de relativismo e ele novamente sorriu, com o canto da boca, respirou fundo e por fim, fez o inesperado, convidou-me para sair.
Parei por alguns instantes, tentando pensar nas consequências  das minhas respostas, mas foi tempo perdido e em vão, respondi com o calor da emoção e na mesma noite estava na hora e no local, marcado por ele.
Essas lembranças vinham-me e permaneciam, às vezes fazendo-me esquecer de que tudo tinha findado e que pela frente viria um futuro de incertezas que trilharia só. Isso me servia de consolo e agrado, mas eu lembrava a vida nova e dos novos obstáculos.

Quando o legista informou que o corpo estava pronto, minhas pernas pareciam ter entrado no chão e todo o meu mundo parecia desabar, mas surgiu uma força que me fez permanecer em pé, firme e pronta a enfrentar. Entrei na sala para reconhecer o seu corpo e quase desmoronei quando percebi o estrago do seu rosto, os vidros do carro tinham quebrado e com o impacto vieram em choque perfurando-o. Não sei como ele pode ter perdido o equilíbrio e entrado em alta velocidade com o carro, no alto do complexo de viadutos e o seu carro estraçalhar a barreira lateral, cair sobre o segundo viaduto, não parar e continuar em velocidade e, por fim, cair no terceiro viaduto, a 20 metros de altura do primeiro. O seu carro ficou destruído e por estar de cintos de segurança, as pessoas pensavam que ele teria uma chance de sobrevivência. O socorro chegou há pouco tempo, mas nada tinha que fazer-se mais, apenas remover o corpo e procurar a sua família.

Saí da sala, quase destruída de sofrimento, mas o que me manteve de pé foram as suas boas lembranças. Fomos diretamente, seguindo o carro funerário, até o centro de cremação. Lá pudemos entrar e perceber um clima de aconchego, muito diferente do enfrentado no reconhecimento de corpo. Dentro de três horas todos os preparativos para a cerimônia foram feitos e esperei apenas a confirmação para ir à minha casa tomar banho e dormir, refletindo sobre a perda dolorosa.

Tomei um banho e deitei em minha cama, mas logo adormeci e sonhei com o nosso primeiro encontro, cujo jantar, fui vestida de verde e ele com a sua elegância vestiu-se, todo aos meus encantos, como um lindo menino galã de filmes norte-americanos. Conversamos e rimos durante horas, na mesa daquele restaurante e saímos de lá muito tarde, ele me deixou na porta da minha casa e conversamos alguns minutos, até ele informar que iria partir, mas uma pergunta seria necessário fazer, para fechar a noite com brilhantes. Respondi meio incerta, que poderia ser feita a pergunta e ele a fez:

-Posso tocar meus lábios aos teus?

Fiquei incomodada com aquela pergunta, pois, nunca, homem algum, tinha feito esta pergunta antes de invadir um espaço que, por direito e lei de natureza, é e era meu. E sem saber o que responder, disse:

-O seu instinto, é a melhor resposta.

7 comentários:

  1. Viver um grande amor não é coincidência, pois tudo na vida tem um motivo.
    Amar só é bom quando se é amado.

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    1. Com toda a certeza minha querida, se não houver correspondência não é amor é emoção plantonista.
      Agradeço pelo comentário e pela leitura.

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  2. Muito bacana a história. Boa escrita e uma leitura envolvente. O amor está onde a gente menos espera.Parabéns pelo blog! E obrigado pela passagem e comentário no meu.

    abraço,
    www.todososouvidos.blogspot.com

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    1. Gostei muito do seu post. da Amarantos...E, é claro, obrigado pela sua visita, pela leitura e pelas parabenizações.

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  3. Adorei seu texto, sua forma de escrever. Nossa, é bem romântico, coisa que não se vê mais atualmente. Parece aqueles filmes hollywoodianos, só que MUITO bem escrito. É uma história, que prende o leitor do início ao fim.

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    1. Obrigado pela sua comparação da minha escrita...A intenção era fazer uma drama romântico que uma mulher, não heroína, sofresse pelo amor e como ela poderia construir sua nova vida.Espero que continue lendo os próximos dois.

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  4. Que lindo! Adorei!!!

    Beijo,

    www.estanteseletiva.com

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