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sábado, 13 de outubro de 2012

Carnes e cereais


Postagem 95
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E haviam duas casas, de duas famílias. Era a rua Salvattori, de uma lado os Carmáticos e do outro os Santalos. A casa dos Carmáticos, uma linda e vidrada mansão, com um lindo e bem cuidado jardim e a sua copa era um aquário, fora da casa, ligado à ela por uma passarela. Todos os dias pela manhã, os Santalos viam de sua cozinha a cerimônia matinal de café dos vizinhos. A cozinha dos Santalos era bem acima da garagem e tinha uma visão privilegiada da morada condominial e da casa dos Carmáticos.

A senhora Lúcia Carmático, mãe de três filhos, sofria pelo desaparecimento de suas crias. Seis meses tinha se passado do desaparecimento e todos os dias Lúcia se castigava ao cultuar suas crianças. Tomava cereais pela manhã, na tigela e com leite. O seu marido Euduardo Carmático, conformado, mesmo que parcial, achava nos trabalhos a sua eterna fuga de uma realidade não desejada.

À frente, os Santalos, retiravam no congelador o seu café, fazia a fritura e as comia junto ao suco, era uma carne vermelha e suculenta. Todos os dias o ritual era repetido e por isso o armazenador tinha grande porção do alimento, com vários e enormes sacos transparentes. Maria Santalo era uma professora e o seu marido Gomes Santalo administrador, ambos possuíam a mesma personalidade, não gostavam de relações humanas afetuosas, eram frios perante temperamento e não mantinham relações com a vizinhança. Na verdade eram dois loucos e psicopatas que a vizinhança acolhera sem saber o perigo que abrangia.

Na última vez que os meninos foram vistos, brincavam ao jardim, com a bola que tinham comprado na praia. Com o vento forte a bola foi a voou, parando nas proximidades da residência à frente. O mais velho entrou no jardim e pegou a bola e ao caminhar para retornar a brincadeira  ele ouviu a voz da dona da casa chamando-o, pedindo socorro. Ele foi até a janela e a viu caída ao chão junto com cacos de um jarro de flores e ela pediu que ele entrasse, pois já que a porta estava aberta. O menino entrou e a senhora pediu que ele chamasse os irmãos para ajudar levantá-la e as outras duas crianças assim fizeram, entraram na casa e, de repente, Gomes desceu as escadas, silenciosamente e sem deixar perceberem a sua presença, trancou a porta. Os meninos assustados desataram a gritar, mas não era louvável, os vidros eram antirruídos. Assim ficaram por tempo, até que os dois fizeram adormecer.

As três crianças foram levadas a um quarto cinza, frio e cheio de metais e congeladores, foram abatidas e suas vísceras retiradas ,  vendidas, o cabelo da pobre menina foi vendido e com esse dinheiro ajudaram aos seus pais, pagando cartazes para espalhar pela cidade.
Com o resto do corpo, foi feito carne, tratados, colocados em sacos transparentes e armazenados no congelador da cozinha. Era essa carne que era comida pela manhã. Enquanto uns, os seus pais, comiam o café da manhã das crianças, os cereais, outros comiam as crianças de café da manhã.

15 comentários:

  1. nossa muito tenso isso mas gostei da hora
    http://snestalgia.blogspot.com.br/

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  2. Gostei, chocante e bom!
    acabei de atualizar o meu blog da uma passadinha la!
    beijoosss

    www.jmphotosnet.blogspot.com.br

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  3. Forte hein?
    Mas muito bem escrito!

    Espero sua visita

    anteontemmusical.blogspot.com

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  4. Achei um texto muito interessante e forte. Amo texto bem escrito.

    http://rodrigobandasoficial.blogspot.com.br/

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  5. Nossa! Forte ein!!! Texto bem escrito!!!

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  6. dá pra fazer um bom filme de terror com isso.

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