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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Noratinho da pamonha



Morte e vida, Noratinho... Ao som do Hino à Feira, sai o cortejo fúnebre de um ícone da cultura feirense... Ele que vendia suas pamonhas pelas ruas da cidade ao cântico de uma música que por ele fora inventada e que faz parte do repertório de qualquer feirense que sabe o mínimo da história da cidade.





Coco, açúcarcanelacravomanteigaNão!

Oh! Papai me  dinheiro,
Menino compra pamanha.
Papai tava dormindo
Mainha compra pamonha
Papai  levantou
Mainha compra pamonha
Papai  viajou
Mainha compra pamonha
Mainha, me  dinheiro
Futucamainha, a costela de painho.
Pra painho acordar pra me  dinheiro
Meninocompra pamonha”.




Honorato Alves, o seu nome verdadeiro, era natural do povoado de Terra Dura, distrito de Humildes. Começou trabalhar carregando bois de Feira na época que é considerada a seca mais dura da cidade. Adquiriu um pedaço de terra, onde começou plantar milho e fazer pamonhas para vender pelas ruas da cidade. Nesse momento ele se torna o dono da Fonte do Mato, um terreno alagado e pantanoso e por isso que não tinha acentuado valor comercial, mas que era frequentado pelas lavadeiras da cidade e da região. As crianças brincavam na fonte, catava caranguejo; algumas Mães de Santo depositavam seus trabalhos nessas terras. A água da fonte servia para tudo, lavar roupa, prato, limpar a casa e outros.

A sua vitalidade era sua outra marca, com o titulo de um dos humanos mais velhos da cidade. Na página 3 de Identidade/Feira de Santana da atriz, produtora, escritora e diretora Tarcira Coelho, o seguinte discurso é atribuído à Noratinho:




" Numa época em que todas as ações estão voltadas para atender a interesses comerciais, sejam eles políticos  religiosos ou financeiros, eu me pego, seguindo um procissão, que vai a procura não sei o de que e segue não sei para onde... Lembro-me do tempo que saia pelas ruas, vendendo pamonhas... Quando eu passava, as crianças ficavam com medo e se  escondiam dentro de casa, ou, atrás da mãe, de pai...ahhh... inocência de criança... E seguia cantando."




Nessa fala, o personagem Noratinho é carregado de lembrança da identidade de Feira de Santana e conta a evolução da cidade e os velhos tempos, por, sendo ele, uma das pessoas mais velhas da cidade.
Mas quantos anos? 106, 108, 110,111 ou 114? Enfim, ninguém, ao certo, sabe só ele mesmo... Um preto velho que fez história e orgulhou sua cor, sendo Homenageado pela Câmara Municipal de Vereadores de Feira de Santana.

Hoje, eu me sinto honrado, em morar na rua Honorato Alves e ter a lembrança, todos os dias, ao passar pela sua porta, de vê-lo sentado, ao sofá, na varanda de sua casa...agora só ficará lembrança. Adeus homem, adeus preto, adeus Noratinho...




Fontes:




3 comentários:

  1. Poxa, que legal sua pesquisa!
    Adorei a história e o poema... isso é música popular!

    Abraços

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  2. Muito legal!! Tem varias histórias interessantes como essa pelo Brasil...

    https://www.facebook.com/wamatamusicas
    -
    http://wamatamusicas.blogspot.com.br/

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