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sábado, 27 de abril de 2013

Trabalho de geografia

Era o Thiago, cabelos crespos, nariz achatado, suas pernas eram tortas e fazia um gancho, seus braços não eram fortes  e nem magros, mas o seu ombro era todo definido. As suas mãos era macias, frias, geladas e secas; em contraponto com as minhas, quente, com as pontas dos dedos frias, suada e sempre molhada. O seu corpo era magro, mas um pouco perfeito, o que para mim era mais que perfeito. Seu olhar me seduzia e me inquietava. Todos os dias que ele chegava em sala, no meio da primeira aula, sua cabeça raspada e seu perfume amadeirado, também; tudo aquilo me atraia.




Quando chegava perto dele, meu coração batia rápido e cada vez mais rápido, não denominava como amor, nem como paixão; era mais que atração. Não tinha nome para aquilo, sem precedentes; era mágico. Eu me comportava como numa amizade paradoxal, os meus olhos davam piscadelas sem sentido, não conseguia olhar diretamente em seu rosto, só quando ele não estava em si, só quando ele percebesse que eu não estava por ali, quando ele não percebesse a minha presença. Tinha medo de sua reação, não sabia se ele aceitaria me amar e me ter para que eu pudesse, ele, amar.

Foi na aula de geografia, na quinta-feira, que tudo começou a se montar como um quebra cabeça. Era a aula do primeiro horário, um trabalho para fazer em casa e em dupla, todos os nomes deveriam ser dados à professora até tocar o sinal, eu e ele fomos os retardatários do dia, chegamos atrasados. O meu cabelo curto me tomava muito tempo para domá-los, passava horas e horas para que ele ficasse perto do que eu queria,além  da calvície, que  me tomava e isso preocupava.

Formamos uma dupla, éramos os que sobravam, o trabalho era para o dia seguinte, tínhamos que um ir para casa do outro e a dele foi escolhida. Era uma casa muito longe do colégio, duas horas de viagem, proporcionada pelo trânsito ruim, depois que descemos do coletivo tivemos que andar 15 minutos por uma estrada de terra muito estreita, ele falando, em teor alegre, desesperadamente e eu, com a vergonha do mundo, calada.

Eu era uma menina quieta, não era de apresentações e me conformava em ser invisível, afinal era isso que eu queria. Não me incomodava não ser notada, ser uma pessoa bege, cinza. Preferiria não ter cor, mas como tinha que ter, escolhia para reger a minha vida essas tais tonalidades.

Entramos em sua casa, era uma arquitetura diferente, uma pirâmide e toda em vidro. A luz das duas e meia da tarde entrava por todos os lados, ele subiu, dizendo para que eu ficasse a vontade; quando desceu, veio pisando os degraus da escada vestido com uma camiseta verde florescente e um short colorido. Aquilo me fez respirar profundamente e trêmula, sem tanta certeza, a minha voz saiu dizendo que ele estava perfeito:

-Lindo, você está perfeito...Quer dizer, você é perfeito!

Não acreditava que tinha dito aquelas palavras, o meu coração batia freneticamente e minha respiração era mais que ofegante. Descendo as escadas ele disse:

- Você sempre, para mim, foi uma incógnita, nunca sabia o que estava pensando, nunca soube o que andava fazendo.

Eu respondi:
- Dizem que quando pensamos em uma pessoa, ela não consegue saber que pensamos nela, porque ela não consegue pensar em nossos pensamentos...Hampeft!

O seu sorriso foi visível, perguntou se poderíamos ter um outro programa para a tarde que não fosse o trabalho de geografia. Respondi que poderíamos fazer a geografia dos corpos. Nesse momento ele teve toda a deixa possível e mais possível, foi que eu deixei.

Deixei que tocasse no meu cabelo, no meu ombro, no meu pescoço; com suas mão desceu ao meu colo e mais abaixo, foi aos meus seios. Cega, sem ter visão, eu tirei o meu sutiã, antes mesmo de tirar a blusa, ele esfregava e massageava as minhas mamas de uma forma tão envolvente que eu me derretia toda naquele calor.Os seus lábios tocavam ao meu e a minha língua provava da sua saliva, era calmo, tranquilo e celestial aquele beijo, me envolvia toda e eu ficava arrepiada. 

No intervalo de frações de segundos, nos afastamos, paramos de nos beijar e  ele tirou a sua camisa, eu me derramava em seu peitoral magro. O tempo foi ao passar e  ficamos ali, aos beijos e esfregaços por 15 minutos. Foi quando a sua mão desceu dos meus seios, à minha barriga e para a  minha pélvis; nesse  momento extasiei-me, fiquei toda arrepiada. Eu tirava, rapidamente a minha calça jeans e ele retirava o seu short colorido, sem nos afastarmos e sem destocar os lábios.

Eu estava só de calcinha e ele com uma cueca box, no meio da  sala, indo em direção à escada. A intenção era subir, mas os extintos impediam. O seu sexo estava evoluído, e pronto; ele retirou a sua cueca vermelha e com toda a sedução desceu a minha peça íntima. Algo quente, macio e firme tinha entrado, não era como nos  filmes, senti uma dor absurda, o meu rosto era de desespero e ele sabia, falou em meu ouvido:

- Xii... Calma, vai passar, vou fazer devagar!

E ali ficamos, conhecendo um a geografia do outro, no vai e vem de mapas e bússolas , de mastros e cabos de nau. Ficamos vendo estrelas em meio aos raios solares do dia e indo aos países baixos sempre que possível. Ele descobriu vários relevos e eu apreciei aquele vulcão,  aquilo me encantou, me sucumbiu, era uma cobra, a biologia. Era negra, da cor da terra, o barro tinha saído do chão, criado forma e virado corpo e, mais, vulcão, pronto para erupção.