Páginas

sábado, 22 de junho de 2013

Vem Pra Rua


ESTE TEXTO FOI ESCRITO COMO FORMA DE
 HOMENAGEM AO "VEM PRA RUA FEIRA DE SANTANA",
 OCORRIDO NO DIA 20/06/13,
 TOMANDO AS PRINCIPAIS VIAS DA CIDADE E
 À TODOS OS MANIFESTOS REEMERGIDOS EM TODO O PAÍS.


Já pela noite, o movimento invade o encontro da
Av. João Durval Carneiro com a Av. Presidente Dutra.


O povo heroico com um brado retumbante enfim se manifesta, porque é chegada a hora de democratizar a democracia e de dar a cara pelo lábaro guerrilheiro que está ostentado e estrelado, fazer das terras de ninguém um território de um povo forte e sofrido que foi apanhado pelas marcas da escravidão, injustiçado pelos grandes mágicos, magos e feiticeiras que constroem fantásticas fábricas de chocolate e ilusão.



O movimento passando pela Senhor do Passos,
à caminho da Prefeitura, em frente à Praça Bernadino Bahia.


Os porcos não se fora como nós, eles parecem mais com os homens do que com a nossa semelhança, vivem como homens, bebem, riem. Nós animais, em certo tempo exaltamos os porcos, demos à eles toda a força e a garra, os elegemos para nos representar, mas parece que o jogo mudou porque os humanos os convenceram que é melhor ser homem do que porco e animal.


No mais importante cruzamento da cidade, o movimento faz a leitura
de suas proposta em frente a Prefeitura.


Estamos agora, parados, democratizados; mas uma onda suave e eloquente emerge para democratizar a democracia; surgem filhos que não fogem a própria luta e novamente somos heroicos, com sangue nos olhos e eclode um “outono nos trópicos” marcado por guerra e sangue de flor, isso parece se tornar um spam e a rede, cada vez mais, balança. Não somos bagunça, estamos ficando para a história, acordando o Brasil que parece ter tomado um sonífero eterno. Não pintamos as nossas caras, mas os muros e que não venha uma Porca Senhora dizer que nossa obra é de mau gosto, porque péssimo gosto é transportar a população como areia e cada grão pagar caro pelo frete.



Em frente à Prefeitura o movimento se estende à Igreja Senhor dos Passos

As lágrimas rolam ao rosto no lembrar que ouvimos nossas próprias vozes gritando que foi ouvido nas margens plácidas no Ipiranga. Como telefone sem fio, pessoas se uniram e anexaram seus laços; bravo, somos brasileiros que vimos dos tambores de índios e africanos e agora estamos unidos em força pelo "spam", mostrando que não somos uma "geração coca-cola", mas bebemos leite para fortalecer-nos e sermos filhos fortes prontos para lutas de "Monte Castelo".

Depois de passar pela Rodoviária e interditar a Av. Presidente Dutra, o movimento passa em frente à Tv Subaé - Rede Bahia - Rede Globo.



Eis que a "terra moça de sã natureza" respira o "Outono nos Trópicos" e entufa seu pulmão dessa onda revolucionária celebrando a democracia. Jubila criaturas sertanejas, que vivem no Portão do Sertão, na princesa que está crescendo e que parou de assistir desenho em TV Globinho. Essa princesa cansou de ser subjugada por forças exógenas e viver na excelência do caos, queremos a excelência, e só, e que esqueçamos o caos, por isso vamos/fomos as ruas para ocupar aquilo que é tomado do nosso direito, a liberdade. Sentimo-nos fortes e bem protegidos com uma camisa branca e um cartaz na mão. Uma verdadeira festa em que a cidade parou para ver e fazer; tecemos em nossa frente, aos nossos pés e com um céu estrelado a Nova História de Feira de Santana a verdadeira festa da democracia que foi melhor que qualquer carnaval.

O protesto toma conta do comércio de Feira de Santana
A Princesa do Sertão, assim denominada por Ruy Barbosa, tá bonita de ver. Realmente caros políticos, agora sim, estamos vendo acontecer e a cidade crescer; numa noite vazia de junho abrimo-nos nossas bocas e demos um grito de basta, chega, acabou o amor; porque o não gigante acordou (você que estava dormindo) e o circo pegou fogo e o palhaço deu sinal.


sábado, 8 de junho de 2013

Faroeste Caboclo

Para começar, vamos tentar fazer o que se chamaria de etimologia da palavra, nesse caso do nome. Renato Russo ao intitular a música como "FAROESTE CABOCLO" estaria fazendo, para essa nação, mais uma construção de identidade, ou melhor, mais uma significação da identidade . Este termo, FAROESTE,  vindo dos EUA, une-se ao nosso CABOCLO, criando um termo abrasileirado, que hoje, por tão idealizado e disseminado que é, quando entoado, nos quatro cantos do Brasil, soa como algo não estranho, um termo brasileiro e que o filme vem para reforçar.

Para começar, é importante que seja compreendido que, assim como diz  o diretor René Sampaio, informado em pré estréia, o filme não e um clip da música, ou seja, não segue fielmente o que diz a letra da velha canção do Renato. Para muitos, isso se torna um lastima, já que era esperado uma produção de prestígio e que fosse fielmente casada com a música. Mas infelizmente ou felizmente isso não ocorre.

Não é possível esquecer que esse é um filme com características tradicionais do cinema brasileiro, com grande influência das telenovelas, sendo produzido pela Globo Filme e Telecine. Mas, no filme a uma coisa impressionante, que poderia ser feito só na ficção, o encontro de João de Santo Cristo com Renato na mesma cidade, nos mesmos anos.

Ao pensar na música e/ou ouvi-lá, é construído em nossas próprias mentes um videoclipe do filme e é isso que o "cinespectador" espera desse Faroeste. Mas, logo nos primeiros minutos é desconstruído pela direção, ao começar pelo fim da história. Eu particularmente, percebi o desconforto de muita gente, e o meu, em ver João levar o tiro nos primeiros segundos de filme.

Depois, somos levados ao começo de tudo, ou melhor, à sua infância depois da morte de seu pai. A seca que castiga o Sertão é representada pela paisagem e pelo  poço ao qual auxilia a passagem de tempo, do João criança para o jovem. A morte de sua mãe, a vingança do soldado que com um tiro matou seu pai, a partida para Brasília com o diabo ter. Nesses momentos, ainda sob o jogo da dialética temporal, lutamos para assistir o filme cantando a música até que o show de Renato Russo, na trama, curtido por Maria Lúcia e seus amigos, fazem uma ruptura. Neste momento paramos de cantar a música e entendemos que não é um clipe, é um filme Faroeste Caboclo.

Vemos na tela, em nossa frente, ser tecida uma história para além da criada por Renato Russo. Neste momento, não é conseguido mais cantar a música, os elementos estão embaralhados, a cada momento emerge uma nova descoberta e nasce um novo filme, até que "todos ficam sabendo da novidade" sobre o negocio que João montou e neste momento, fica claro, que agora podemos cantar, agora é um videoclipe Faroeste Caboclo e quando estamos achando que já podemos dominar o filme através da canção, ele diz: "Não, isso não é um clip e sim um filme".

Neste momento ficamos presos, à merce da história, querendo ver novamente o que ali era urdido, mas diferentemente da primeira vez estávamos  presos a um história intrigante, a qual buscávamos o findar. Neste momento não éramos nós mesmos, tornamo-nos, as vezes,   João e quando não ele, éramos ela, Maria. Sofremos como eles e não como "cinespectadores", fomos levados, pela esfera do cinema, para a transcendentalidade em que, cada olho, paralelamente fixado na tela, há um modo Maria e um modo João, buscando a esperança de um final feliz e eis que ele não acontece. 

Por essa legenda fiquei esperando todos os créditos, cantando a música,
para ver se João e Maria ressuscitava.