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sábado, 8 de junho de 2013

Faroeste Caboclo

Para começar, vamos tentar fazer o que se chamaria de etimologia da palavra, nesse caso do nome. Renato Russo ao intitular a música como "FAROESTE CABOCLO" estaria fazendo, para essa nação, mais uma construção de identidade, ou melhor, mais uma significação da identidade . Este termo, FAROESTE,  vindo dos EUA, une-se ao nosso CABOCLO, criando um termo abrasileirado, que hoje, por tão idealizado e disseminado que é, quando entoado, nos quatro cantos do Brasil, soa como algo não estranho, um termo brasileiro e que o filme vem para reforçar.

Para começar, é importante que seja compreendido que, assim como diz  o diretor René Sampaio, informado em pré estréia, o filme não e um clip da música, ou seja, não segue fielmente o que diz a letra da velha canção do Renato. Para muitos, isso se torna um lastima, já que era esperado uma produção de prestígio e que fosse fielmente casada com a música. Mas infelizmente ou felizmente isso não ocorre.

Não é possível esquecer que esse é um filme com características tradicionais do cinema brasileiro, com grande influência das telenovelas, sendo produzido pela Globo Filme e Telecine. Mas, no filme a uma coisa impressionante, que poderia ser feito só na ficção, o encontro de João de Santo Cristo com Renato na mesma cidade, nos mesmos anos.

Ao pensar na música e/ou ouvi-lá, é construído em nossas próprias mentes um videoclipe do filme e é isso que o "cinespectador" espera desse Faroeste. Mas, logo nos primeiros minutos é desconstruído pela direção, ao começar pelo fim da história. Eu particularmente, percebi o desconforto de muita gente, e o meu, em ver João levar o tiro nos primeiros segundos de filme.

Depois, somos levados ao começo de tudo, ou melhor, à sua infância depois da morte de seu pai. A seca que castiga o Sertão é representada pela paisagem e pelo  poço ao qual auxilia a passagem de tempo, do João criança para o jovem. A morte de sua mãe, a vingança do soldado que com um tiro matou seu pai, a partida para Brasília com o diabo ter. Nesses momentos, ainda sob o jogo da dialética temporal, lutamos para assistir o filme cantando a música até que o show de Renato Russo, na trama, curtido por Maria Lúcia e seus amigos, fazem uma ruptura. Neste momento paramos de cantar a música e entendemos que não é um clipe, é um filme Faroeste Caboclo.

Vemos na tela, em nossa frente, ser tecida uma história para além da criada por Renato Russo. Neste momento, não é conseguido mais cantar a música, os elementos estão embaralhados, a cada momento emerge uma nova descoberta e nasce um novo filme, até que "todos ficam sabendo da novidade" sobre o negocio que João montou e neste momento, fica claro, que agora podemos cantar, agora é um videoclipe Faroeste Caboclo e quando estamos achando que já podemos dominar o filme através da canção, ele diz: "Não, isso não é um clip e sim um filme".

Neste momento ficamos presos, à merce da história, querendo ver novamente o que ali era urdido, mas diferentemente da primeira vez estávamos  presos a um história intrigante, a qual buscávamos o findar. Neste momento não éramos nós mesmos, tornamo-nos, as vezes,   João e quando não ele, éramos ela, Maria. Sofremos como eles e não como "cinespectadores", fomos levados, pela esfera do cinema, para a transcendentalidade em que, cada olho, paralelamente fixado na tela, há um modo Maria e um modo João, buscando a esperança de um final feliz e eis que ele não acontece. 

Por essa legenda fiquei esperando todos os créditos, cantando a música,
para ver se João e Maria ressuscitava. 

14 comentários:

  1. Não vejo a hora de assistir esse filme, é o filme mais esperado para quem gosta de Legião Urbana...
    -
    http://corretoriceman.blogspot.com.br/

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    1. Realmente, mas não atende as expectativas de quem for nesse intuito...

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  2. Mas faz sentido sim começar com ele levando o tiro e depois voltar tudo... na música fala isso quando ele está morrendo, ele começa ver tudo que passou até ali... boa sacada do filme :)

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  3. Ainda não assisti o filme.. mas já imaginava que poderia decepcionar a que é fã do Renato e da Musica. Se já é difícil ser fiel a um livro que são páginas e mais páginas de um enredo que, por vezes é muito interessante, imagine se basear em uma musica de 9mim. Muito boa a sua descrição do filme, ansioso para assisti-lo. AbraçOs!

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    1. Muito obrigado... Mas discordo! Seguir fielmente é fácil, mas esse pode não ser o caminho do sucesso e sim de um obra qualquer... Acredito que chegou ao sucesso porque inovaram e foram para além.

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  4. Ainda não assisti a esse filme, mas pretendo ir antes de sair do Cinema. Quando vi o trailer pela primeira vez, só veio na minha cabeça que o filme seguiria fielmente a música do Legião, acho que todos pensaram a mesma coisa.

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    1. Realmente, eu pensei o mesmo também... Mas me encantei com a história que eles criaram por cima.

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  5. Pretendo vê-lo em breve. Mas agora já sei que a morte já é certo para eles, rs. Quando comecei a ler teu post imaginei que por fazerem uma história "baseada" eles poderiam mexer no final. Site bacana.

    Abraços,

    http://leaodegaza.blogspot.com.br/2013/05/a-grade.html

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    1. É, eu esperava isso também... Queria muito, porque sofri com eles...

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  6. Ah, que pena que o filme não casa com a música :'( mas vou aguardar para assistir e tirar as minhas conclusões... bjksssss

    meu novo blog http://inspiracaolivre.blogspot.com.br/

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    1. Na verdade não é uma pena e sim uma glória... Gostei da história nova tecida por cima da música, ela ficou a par de igualdade com a história narrada pela música.

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  7. Estou ansiosíssima para ver o filme!

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