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domingo, 11 de agosto de 2013

Gringo

Era a terceira semana do meu quinto semestre, o lindo menino loiro, com cabelos curtos e uma barba impecavelmente feita entrou pela sala. O professora já falava para dar inicio à aula, ele entrou e, em sua língua, pediu licença. Uma explosão de hormônios aflorou em minha pele, eu estava perdidamente, atraído por aquele gringo.


Ao fim da aula pegou sua bicicleta azul, com cesta na frente, e pedalou. Eu estava perdido em olhares por ele e, quando deu as primeira pedaladas, ele olhou para trás, fixando o seu olhar ao meu. No mesmo instante, meio que envergonhado, eu desviei o olhar para outras direções, mas percebi que tinha percebido e foi inútil e entregador.

Na quinta-feira, no mesmo horário, o menino loiro de olhos verdes estava lá novamente. A professora soube que era aluno de intercâmbio e decidiu apresenta-lo para integrar na Universidade. Quando a Mércia o chamou à frente, fiquei imaginando qual seria o seu nome. Pensei, pensei e muito, mas não consegui acertar e quando ele falou o nome, se apresentando, me apaixonei mais ainda.

Ao  fim da aula, a professora solicitou o seu primeiro trabalho do semestre, uma resenha, e como teríamos quase uma semana sem aula, era o suficiente (para ela) à feitura do trabalho. Dei uma pequena saída da sala de aula e quando voltei fiquei surpreendido que não tinha mais com quem fazer em dupla, apenas com o gringo.

Em primeiro momento eu custei acreditar, sentia uma profunda vergonha de ter sido descoberto por ele em meus olhares maliciosos. Depois da aula ele veio para conversar ou, melhor, tentar conversar. Eu não entendia nada em Francês ou quase muito pouco. Até que ele lançou seu olhar firmemente ao meu e disse:

-Vous m'avez regardé hier?

Eu não entendi, nada, nada! Mas durante os próximos dias aquelas palavras não saíram de minha mente e eu sentia a necessidade de saber o seu significado. Por toda a universidade procurei alguém que falasse francês e que pudesse traduzir aquilo que ele tinha dito. Sempre alguém conhecia um outro alguém, que achava que sabia que conhecia alguém, o qual dava notas na língua. Ao fim do dia, descobri que ele me perguntava se no dia anterior eu o olhava.

Quando nos encontramos para reunirmos o que tínhamos pensado para a resenha, repeti o que ele tinha me dito no encontro anterior e respondi que sim e mais:

-Possou continuer à regarder ou pas? (Possou continuar olhando ou não?)

Ele disse:

-Oui.Si vous pouvez me rattraper. (Sim. Se conseguir me pegar)

E nesse mesmo momento ele saiu desesperadamente correndo e eu, que já entendia parcialmente o que ele dizia, corri atrás dele. Ele pegou a sua bicicleta azul, em frente a biblioteca, e pedalou. Em seguida eu fui atrás dele, com a minha.

Eu tentava alcançar, mas nunca conseguia. Entre subir e descer das ladeiras do CAMPUS, eu morria, parecia que iria infartar, ressuscitava, sucumbia em forças e ele mais pedalava. Eu já estava novamente morto, passamos pela  reitoria, descemos pela frente do auditório, plainamos pela frente do  refeitório, pelo serpentário, e por fim ele parou ao lado da piscina. Deitou-se ao chão para descansar e eu, ao chegar, o acompanhei deitando na grama. Ficamos olhando o céu azulado, com algumas nuvens, respirando freneticamente ao tom assustadoramente audível.

Quanto mais as nossas respirações se acalmavam, mais eu tinha a necessidade de chegar o meu corpo junto ao dele. Ali mesmo, sobre a grama, aproximei a minha mão à sua e quando ao encontro dela cheguei, segurei-a forte. Ele respondeu com a mesmo estímulo. Depois de nossas respirações ficarem silenciosas, de ouvirmos apenas o soprar do vento e o sol parecer como uma iluminação teatral ou um lustre para compor cenário, ele, o gringo, veio por cima do meu corpo e beijou como um selo.




8 comentários:

  1. Bem escrito, mas não emociona.

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  2. O que uns olhos verdes não fazem... :) bonito texto...

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  3. É cor de olhos e pele valem muito hoje em dia, hoje falasse que tem pouco preconceito, porem a maioria das pessoas prefere um branco do que um negro e não admitem isso e não fazem nada. Isso já é testado em vários programas e pesquisas.. COmo mostrou recentemente no CQC.

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  4. O olhar é capaz de traduzir o sentimento, independentemente da língua. Sua história mostra isso. Abraços e sucesso com o blog!

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  5. Um olhar, a maneira de falar e um jeito de agir que impressiona desperta os sentimentos..

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  6. Nossa, adorei! Sentimentos à flor da pele e amores de colégio, são sempre bem-vindos.

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